Aqui está mais um capítulo da Fan Fic!
Capítulo 3 – Olhar violeta
I parte
Patch abriu os grandes portões com a chave que retirara do bolso. Como é que ele a tinha em sua posse? Era a pergunta que se propagava na minha mente, no entanto decidi não fazê-la ouvir para averiguar as suas acções futuras.
Segui-o. O parque de diversões parecia mais assustador de dia do que de noite, talvez achasse isso porque estava vazio ou pelo simples facto de estar com medo do que aconteceria. Não queria ser cúmplice de nenhum assalto, embora tivesse a certeza de que não haveria nada de valor para levar dali. O parque estava encerrado durante quase todo o ano, sendo reaberto com o início do verão, o que significava que o facto de nos encontrarmos naquele local não se devia a fins lucrativos.
Continuava a seguir Patch, pelos corredores de diversões. Passara pela roda gigante, pela casa assombrada, que se inseria na perfeição naquele local fantasmagórico, pelo salão de jogos, até chegar à atracção principal. O Arcanjo, a maior montanha russa do Maine, que exibia uma enorme estátua de um anjo de madeira no seu pico mais alto. Não parecia muito segura, para dizer a verdade nada segura. Não tencionava por nada entrar ali.
- Estamos quase lá- disse Patch sem que eu perguntasse - Não tens com que te preocupar, eu conheço os donos, não tenciono destruir nada.
Anui sem que acreditasse. Ele pareceu perceber-se, rodou o seu corpo de modo a que ficássemos frente a frente. Ternamente pegou no meu queixo, subindo-o para que pudesse olha-lo olhos nos olhos. Embora tivesses as maiores pernas que alguma vez vira, Patch era mais alto que eu. Tentei desviar o olhar para o chão, as pontas dos meus mocassins tocavam as biqueiras das suas botas.
- Porque fazes isso? – perguntou.
- O quê?
- Porque desvias o olhar?
- Os teus olhos parecem-me demasiado negros, tenho medo que esse desespero que transmitem me consuma… - como é que eu dissera aquilo? Como é que eu admitira que estava com medo? Como é que eu ficara com medo?
Patch abraçou-me. O seu corpo quente protegeu-me daquele sentimento, do qual eu não me lembrava de contrair. Desde que o meu pai morrera, desde aquele dia em que soubera que tinha sido assassinado, ficara um pouco medrosa mas sempre sentira a sua presença e soubera que ele me protegia, mas agora, era diferente, não sabia a razão mas ao lado de Patch, tinha medo, precisava da sua protecção.
II parte
Queria continuar protegida por aquele abraço, no entanto, Patch dissera que o tempo escasseava e em breve teríamos de ir a caminho da escola. Como tal, deixei que me soltasse, tentando preservar o calor do seu corpo junto do meu.
Patch abrira a porta do que me parecera ser o local onde controlavam a montanha russa. Segui-o pois este ordenava-me que o fizesse.
O pequeno cubículo possuía apenas, uma janela que embora tapada, guiava pequenos raios de luz que aqueciam aquele local escuro. As paredes de um branco deslavado eram ocupadas por vários tipos de painéis de controlo, dos quais desconhecia a função. No centro da divisão, sob um velho e esfarrapado tapete de trapos, descansava uma mesa de madeira negra um pouco apodrecida pelo tempo, rodeada por duas grandes poltronas cinza, também elas num estado lastimável e três cadeiras, igualmente de madeira negra.
- Ajuda-me aqui – pediu Patch enquanto movia uma das poltronas, que embora parecessem pesadas, não parecia causar qualquer incómodo a Patch. Não sabia o porquê mas a maneira como ele pronunciara o meu nome fizera com que o calor daquele abraço se tornasse mais cálido.
Anui, enquanto retirava a cadeira que se encontrava mais próxima de mim.
Finalmente, apenas restava a mesa que de tão pesada que era, Patch necessitou da minha ajuda, embora, evidentemente todo o esforço fora seu. Malicioso Patch retirou o tapete do seu local, revelando um alçapão. Perguntas propagaram-se pela minha mente. Guardariam ali algo de valioso? Estaria, afinal nos planos de Patch assaltar o Delphic? Seria eu cúmplice de um assalto? E porque diabos estaria um alçapão naquele local?
O queixume das dobradiças ferrugentas da porta do alçapão, aberta por Patch fizera-me sair daquele estado mental. Queria ter resposta às minhas perguntas, para tal tinha de segui-lo. Se algo de estranho acontecer… bem no momento vê-se.
Pela pequena abertura, consegui observar um lance de escadas de ferro, pressas à parede que conduziam até ao fim de um túnel negro.
- Entra – pediu-me.
Hesitei, pois não sabia se era correcto descer. Estava prestes a faze-lo pois a minha sede de respostas obrigava-me a tal, mas antes que pudesse descer, Patch aproximou-se.
- Não tenhas medo – sussurrou-me ao ouvido- eu estou aqui, contigo, meu Anjo.
“ Meu Anjo”, aquela expressão era-me familiar. Vaguei pelas minhas memórias, na esperança de encontrá-la. Sabia que já fora proferida, mas quando? E por quem? Eram as questões que me atormentavam.
Como que com um clique, fez-se luz na minha cabeça. Tinha ouvido aquela expressão durante sonhos. As imagens mostravam-se como clarões na minha mente, impedindo que as compreendesse com clareza, no entanto, lembrava-me que haviam sido proferidas por um rapaz, que podia jurar que era Patch.
Estaria eu a sonhar com ele? No sonho desta noite, sem dúvida. Mas e aquele que tivera durante a aula de Biologia? Era impossível. Antes disso nunca trocáramos uma palavra que fosse. Eu não sou propriamente a pessoa mais sociável do mundo. E embora Patch seja muito atraente, havia algo nele que me dizia para que me mante-se longe, muito longe, na realidade. Seria obra do destino?
Eram demasiadas perguntas, pensaria nas respostas mais tarde.
De qualquer maneira desci.
III parte
Parecia estar numa rede de esgotos, mas limpa. Aquele local subterrâneo, possui inúmeros canais, sem que conseguisse ver o seu fim. O local era tão húmido que gotas de água pingavam por tudo o que era sítio, iluminadas pela luz amarelada dos candeeiros suspensos nas paredes de cimento.
Por que raio, levara-me Patch para ali?
- Por aqui, Nora… - informou Patch, impedindo-me de realizar um raciocino razoável. Nenhum adolescente normal passeava com uma rapariga por túneis subterrâneos de um parque de diversões atualmente encerrado. Sem dúvida que não. Mas suspeitava que Patch não fosse um adolescente normal. Nem mesmo eu era.
Continuei a segui-lo. Viramos duas vezes à direita. Depois à esquerda. De nova à direita, até encontrarmos uma trifurcação. Patch não hesitou, seguiu pelo caminho do meio. E eu, o que poderia fazer para além de segui-lo?
Continuei a caminhar, abraçando o trilho que Patch me revelara. Finalmente o rapaz parou num enorme corredor, era idêntico aos canais anteriormente percorridos, a diferença era o facto de este parecer menos escuro, talvez por ser ocupado por inúmeras pessoas, bem como o facto de apresentar várias portas e um enorme e ruidoso sistema de ventilação. Observei com mais atenção, na verdade mais parecia uma rua, ao fundo, interligando, mais passagens como aquela, parecia surgir uma praça. Para dizer a verdade aquele lugar mais parecia uma cidade.
Estava tão fascinada com a beleza e simplicidade daquele pequeno mundo, que nem pensei nalgo mais importante. O que fariam todas aquelas pessoas ali? E o que Patch pretenderia ao levar-me?
O meu estado de transe durou o que me pareceu demasiado tempo para que não reparasse que uma rapariga caminhava ao nosso encontro. O seu cabelo loiro platinado, parecia voar atrás de si mesmo com a ausência de correntes de ar, era estupidamente liso. As suas faces rosadas, com a ajuda de maquilhagem. Aparentavam ter menos idade do que ela queria
realmente transparecer, mas não era por isso que não se podia dizer que tinha uma beleza invejável. Os seus lábios vermelhos eram carnudos, os olhos azuis sedutores, os jeans demasiado justos e o top exageradamente decotado, deixariam qualquer rapaz do liceu babado e a “poderosa e bela” da magricela da Marcie Miller cheia de inveja.
- Patch… meu querido… - disse, quando se juntou a nós. Pareceu ignorar-me completamente. Saltou para os braços da minha companhia, passou os seus dedos pelo cabelo do rapaz, enterrando os seus lábios nos dele.
- O que pensas que estás a fazer? – Patch afastou-a com brusquidão, o que não lhe provocou reação alguma. Moveu-se na minha direção. Talvez apercebendo-se da minha presença.
- Finalmente tenho o prazer de te conhecer, Nora – como se tivéssemos alguma confiança, abraçou-me, dando-me dois beijos – eu sou a Miriam.


