Olá a Todos!
Como prometido está aqui a carta de Patch para Nora em Português e mais um capítulo da FanFic.
Meu Anjo
A maior das minhas esperanças é que tu nunca tenhas de ler isto. Vee sabe que tem de te dar esta carta apenas se a minha pena seja queimada e eu esteja acorrentado no inferno, ou se Blakely tiver inventado o protótipo de uma arma forte o suficiente para me matar. Quando a guerra entre as nossas raças começar não sei o que será do nosso futuro. Quando penso em ti, e nos nossos planos, sinto uma dor desesperada. Nunca quis que as coisas ficassem bem como estão agora.
Antes de eu deixar este mundo, preciso de ter a certeza de que saibas que todo o meu amor te pertence. Os meus sentimentos por ti agora são mesmo antes do Changeover Vow. És minha. Sempre. Adoro a força, coragem e bondade da tua alma. Adoro o teu corpo também. Como é que alguém tão sexy e perfeita ser minha? Contigo tenho um propósito- alguém para amar, cuidar e proteger.
Existem segredos do meu passado que pesam na tua cabeça. Confias-te em mim o suficiente para não me perguntares sobre eles, e foi a tua fé que me tem tornado um homem melhor. Não quero deixar-te com algo escondido entre nós. Eu disse-te que fui banido do paraíso por me apaixonar por uma rapariga humana. A maneira como eu expliquei, eu risquei tudo para estar com ela. Eu disse estas palavras porque elas simplificavam as minhas motivações. Mas não eram verdade. A verdade era que eu já não me encantava com os objectivos dos arcanjos e quis revoltar-me contra eles e as suas regras. Aquela rapariga foi uma desculpa para largar a minha antiga maneira de viver e aceitar uma nova jornada que me levaria a ti. Eu acredito em destino. Meu Anjo. Acredito que todas as escolhas que eu fiz me trouxeram para mais perto de ti. Eu olhei por ti durante muito tempo. Posso ter caído do paraíso mas apaixonei-me por ti.
Farei todos os possíveis para ganhares esta guerra. Os Nephilim sairão vencedores. Irás cumprir o teu acordo com o Mão Negra e ficar segura. Esta é a minha prioridade mesmo se custar a minha vida. Suspeito que ao leres isto irás ficar zangada. Será difícil perdoar-me. Eu prometi que ficaríamos juntos no fim , e poderás ressentir-me por quebrar a promessa. Quero que saibas que fiz tudo para manter a minha palavra. Enquanto escrevo isto, penso em todas as possibilidades de que no veremos no fim. Espero encontrar uma maneira. Mas se eu tiver que escolher entre eu e tu, escolho-te a ti. Sempre escolhi.
Com todo o meu Amor,
Patch
Capítulo 6 - Crude
I parte
O cristal brilhava
intensamente, lá fundo da minha existência sabia que era errado fazê-lo,
mas tinha de consegui-lo, apoderam-me daquele objecto que perscrutava
no meu intimo se realmente deveria faze-lo. Se a minha alma era
integralmente demoníaca ou existia uma réstia de humanidade e bondade no
meu âmago.
Não! Gritou um voz na minha mente, que reconheci
como sendo a minha. Eu sou e serei assim, uma Demónio insana, que se
alimenta do sofrimento dos mortais. Aquela que em nenhum momento
conheceu o céu, como os seus superiores. Aquela que tinha de obedecer ao
supremo senhor da maldade, Lucifer. O seu adorado senhor, a quem o
trono fora roubado por seres da sua raça, que o escorraçaram da sua
casa, condenando-o a viver preso aos mortais. Aquele a quem cortaram as
assas. Aquele a quem eu prestara vassalagem, a criatura na qual
depositava toda a minha confiança, todo o meu amor jovial, toda a minha
essência, toda a minha vida…
Precisava dele. O cristal era
essencial para a sua missão. Qualquer obstáculo seria eliminado. Poderia
ter corrido todo bem, se ele não aparecesse. Inicialmente pensei que de
um humano se tratasse, se assim fosse, não teria com que se preocupar,
seria invisível aos seus olhos mortais, cegos pela racionalidade que os
impedia de ver mais além, de comtemplar as criaturas criadas por uma
entidade superior, a qual nunca conseguiriam alcançar. Preferia que
assim tivesse sido, que me encontrasse por ser sem um pingo de poder no
seu sangue, no seu corpo; Mas então o homem vociferou:
- Que deseja uma criatura, como tu, de alguém como eu?
- Diz-me, se não estou perante um humano- cuspi todo o meu ódio e
escárnio naquela palavra, ele estremeceu- encontro-me perante que
criatura?
A sua gargalhada seca e gélida ribombou pelo ar.
Parecia surpreendido pela minha ignorância. Decerto que não desconfiava
que eu ainda era um bebé, que dava os primeiros passos para a sua
maléfica existência. Uma pequena alma, ainda incapaz de distinguir a
realidade do imaginário, já que a minha percepção de tempo era diferente
da sua.
- Não reconheces. A raça que fora escorraçada do céu… - o seu sorriso demonstrava um certo gozo da situação.
- Significa que estou perante…
- Sim… - interrompeu-me secamente, o seu sorriso abriu-se mais,
mostrando uns dentes perfeitamente alinhados e brancos. Deslizou os
dedos pelo seu cabelo acastanhado, tentando criar um clima de suspense e
começando a dar comigo em doida.
- Fala! – ordem, ainda mais enraivecida da que normalmente – Diz-me o que és!
Voltou a sorrir. Estava de certo a apreciar a minha fúria, a minha
irritação, mas se as apreciava assim tanto, iria então experimenta-las.
Mas antes que agisse respondeu:
- Sou um anjo caído!
II parte
Era óbvio que me encontrava perante um desses seres. Embora venerasse
Lucifer, aquela raça, os anjos caídos era algo que me repugnava. Apesar
de tirem a sua essência corrompida pela maldade, sempre perdurava um
pingo de inocência e bondade na sua existência, anteriormente angelical.
O homem continuava a observar-me. Talvez porque pensasse que
depois identificar-se eu ficaria boquiaberta, mas mal poderia imaginar o
que eu era. Que a minha alma demónica se sobrepunha a qualquer outro
sentimento ou valor minimamente humano. O Homem, outra criação
repugnante daquele que escorraçara o ser que eu mais respeitava.
- Então, não ficas surpreendida?- perguntou- Decerto que já
desconfiavas… Mas agora é a tua vez de abrires o jogo. Sei que vens
atrás do cristal, tal como muitos outros tentaram, embora muitos dos
meus irmãos tivessem sido sacrificados, nunca ninguém conseguiu… Sei
que não és mortal, estás muito longe de sê-lo, mas diz-me… que criatura
és realmente?
A minha gargalhada seca e histérica ecoou pelo
ar. Quem pensava ele que era para formular tal questão. Pensara, em
segundos que soubesse mas aparentemente dera-lhe mais valor do que
realmente merecia possuir.
- Sabes… já vi de tudo… - continuou,
como que se a minha existência fosse insignificante – Arcanjos que se
ajoelharam aos meus pés, suplicando-lhe que lhas concedesse esta dádiva,
– apontou com o queixo para o cristal, translúcido, que incrivelmente
assumia a forma de umas assas, não as assas de uma qualquer ave, mas sim
as mais belas, as assas de um anjo – lutei contra nefelins,
possivelmente contra algum dos meus filhos – soltou um riso seco - vi
irmãos combaterem por ele. Lutas demasiado sangrentas para um mortal
pudesse sequer imaginar… Até mesmo eu sofri… tive a minha pele arrancada
do meu corpo vezes sem conta, senti que iria morrer quando as armas me
atravessam, mas a minha existência impedia que a minha vida fosse
ceifada, se é que lhe posso chamar vida… Mas nunca pensei que merecesse a
visita da tua raça…
- Isso significa que sabes o que sou? – a
fúria fervilhava em mim, no meu sangue negro e espesso que pulsava
dentro de mim – Se o sabias, porque perguntas-te?
-Queria
ouvi-lo da tua boca… - respondeu com escárnio – Mas visto que não me dás
esse prazer… Eu revelo-o… És um demónio… Demasiado jovem por sinal…
- Como sabes? – a fúria aumentava cada vez mais dentro de mim, tinha de
faze-lo sofrer, libertar dentro de mim este desejo por sangue.
-
A verdade é que já ando por aqui há uns aninhos… - riu-se novamente,
aquele som não poderia ser mais irritante – Conheço até Lucifer… - agora
sim, o meu queixo caíra por terra, como é que ele poderia… não era
impossível – pessoalmente…
Não aguentei mais, como é que ele
podia proferir tais blasfémias sem ser punido. Seria agora, que a
demência tomaria conta da minha mente insana. Seria agora, que
descarregaria toda a minha revolta, embora soubesse que acontece o que
acontecesse, nenhum de nós sairia realmente magoado desta batalha.
Retirei então, a adaga da bainha, investi contra ele, mirando o lugar
onde se o possuísse, estaria o seu coração. Também desembainhou uma
arma, que nunca antes vira, assemelhava-se a um punhal, mas mais
comprido, mas fino, mais pontiagudo, de punhal cravejado a ouro. O anjo
caído bloqueava todas as minhas investidas. Mas não atacava, limitava-se
à defesa.
Foi então que empunhou a sua arma e deferiu um golpe
em cheio no centro do meu peito. Pensei que não seria afetada, mas
enganara-me. O metal cravado na minha pele, parecia queima-la, como as
labaredas do inferno, mas de uma forma dolorosamente insuportável.
Cai por terra, ajoelhando-me, tentando retirar aquele objeto que me
impingia tanta aflição, mas quanto mais tentava fazê-lo, mais ele se
afundava em mim.
- Pensavas mesmo que não estaria protegido
contra seres da tua laia? – cuspiu, levantando a minha cabeça pelos
cabelos – diz ao Lucifer que ele nunca conseguirá aquilo!
Mal
acabava de proferir tais palavras, já ele desaparecia, junto com o
cristal. E eu contorcia-me com uma dor que nunca antes pensara
experimentar, tossindo em sangue negro, o meu futuro incerto.
III parte
- Como é que vou explicar à minha mãe? Não… a sério, tu não sabes como
ela é… Como é que quiser que eu lhe diga que tu vais viver para minha
casa?- Nem sequer pensava no facto de ele ter-me beijado. Só no que a
minha mãe me faria se apanhasse um rapaz em casa.
- É para tua proteção… - desabafou. Nem mesmo ele parecia satisfeito com aquela situação, decerto que eram ordens.
- A minha m… - deixei a frase a meio. Uma dor aguda queimou-me o peito.
Um grito de dor afogou-se na minha garganta, levei a mão ao local onde a
sofrimento me consumia, me devorava. Mickael balbuciou algo,
imperceptível ao meio cérebro, perfurado por agulhas de agonia.
O
quarto girou em torno da cama. A esbelta figura do arcanjo
desfigurou-se metamorfoseando-se num ponto negro, que parecia consumir
toda a luz à nossa volta.
Uma tosse incontrolável cresceu na
minha garganta, trazendo consigo o sabor metálico que embora conhecido,
permanecia oculto perante o pânico me corroía. Queria parar aquilo, mas
não conseguia… Tossi e voltei a tossir, as minhas mãos eram cobertas de
sangue.
Continuaria assim se Patch não tivesse aparecido,
pegou-me gentilmente nas mãos. As palavras que me sussurrava domaram a
dor que me corrompia, a tosse cessou e o quarto volta ao que era antes.
- Nora estás bem?- a preocupação e a ternura transbordavam na voz de
Patch. Fixava-me com o olhar, os seus olhos percorreram o meu corpo,
numa tentativa de verificar que me encontrava bem, até pousarem nas
minhas mãos- O que é que…?
Observei-as, o sangue ensopava-as.
Não o sangue vermelho que me corria nas veias. Mas sim um fluído negro e
pegajoso, semelhante a crude.
- O que é isto?- perguntei num fio de voz.
- Sangue de demónio… - respondeu Miriam que até então permanecia calada, a um canto.
IV parte
Debati-me
inutilmente, vendo o meu corpo petrificar perante o contacto com aquela
arma. Queria mover-me, arranca-la do meu corpo, destrui-la com as
chamas que me enfureciam, mas não conseguia. A dor perfurava todo o meu
âmago, gelando todas as minhas entranhas. Até o sangue que outrora
jorrava da minha boca, secara.
- Talvez o meu fim esteja
próximo… - dei por mim a sussurrar – O que será pior que o inferno? –
perguntei retoricamente. Até que… nada… a dor desaparecera, como que se
nunca se tivesse alojado no meu ser. Agradeci ao que quer que fosse
responsável pelo meu alivio, murmurando entre dentes, uma prece demónica
para que nenhum mal, provocado pelos meus semelhantes, se alojasse na
sua existência. Estava presa nos meus pensamentos que nem apercebi-me da
sua presença.
- Então o que te fizeram? – perguntou em tom de chacota, por entre risadas infantis e secas.
Com
dificuldade movi a cabeça, para observa-la. Só pela sua voz conseguira
identifica-la, mas necessitava de ter a certeza de que era ela.
Observei-a. Estava sentada, sobre um muro de pedra negra, iluminada pela
noite como uma musa, o seu cabelo escarlate ondulava com a brisa,
lambendo-lhe as faces, como as labaredas das profundezas o faziam. Como
de costume envergava um vestido negro, bordado com fios de sangue humano
coagulado, que insinuava o seu corpo bem definido. Era a Demónio mais
bela da história, segundo rezava a lenda, mas ao contrário de muitas eu
não invejava o seu cabelo, os seus olhos dourados, mas sim o seu poder.
- Deixa-te disso… -respondi secamente – agora se não te importas, tira-me isto.
-
Não precisas de estar frustrada… - zombou – A culpa não é tua. Deveriam
ter enviado alguém poderoso… Não uma simples criança como tu…
A
cólera fervelhou, dentro de mim. Cresceu e dizimou qualquer réstia de
calma e controlo que restasse em mim, avolumou e rebentou. Estalidos de
raiva viajaram pelo meu sangue negro até atingir o auge e sem que o meu
corpo aguenta-se mais, explodiu em labaredas que queimaram o alcatrão,
onde me encontrava estendida, até atingirem o local onde a Demónio se
encontrava.
-Ok… acalma-te lá… Subestimei-te… - desculpou-se – Agora podes apaga-lo?
Reprimi
a ira com grande custo. Então ela desceu da sebe, caminhou lentamente,
movendo-se agilmente pelo fogo que ainda não se extinguira, no seu
perfeito habitat. Aproximou-se de mim. Esticou a sua delicada mão e com
dificuldade retirou o objecto cravejado na minha carne.
- Temos
aqui um belo trabalho… - disse observando a arma – É feita de metal
celeste, fabricado pelos arcanjos… Maligno a todos os seres das trevas…
por isso pega-lhe sempre no punho – aconselhou – Adoraria saber mais
acerca desta ocorrência, mas não é por isso que me encontro aqui.
-
Então? – perguntei, levantando-me pesarosamente – O que é assim tão
importante que te tenha tirado das profundezas da nossa casa?
- Um reles mortal… - cuspiu com desdém.
- O que queres dizer?
- A ligação… Existiu contacto entre ti e esse mortal desprezível…